O que é compliance e como o profissional da área deve atuar?

Michael Pereira de Lira
Economista e com Curso de Direito; Mestrado em Finanças em 1990;
MBA em Gestão Financeira, Auditoria e Controladoria pela FGV em 2010;
Consultor Empresarial em Planejamento e Gestão; Analista Econômico e Palestrante.

O que significa compliance? O termo compliance tem origem no verbo em inglês to comply, que significa agir de acordo com uma regra, uma instrução interna, um comando ou um pedido, ou seja, estar em “compliance” é estar em conformidade com leis e regulamentos externos e internos. Portanto, manter a empresa em conformidade significa atender aos normativos dos órgãos reguladores, de acordo com as atividades desenvolvidas pela sua empresa, bem como dos regulamentos internos, principalmente aqueles inerentes ao seu controle interno.

Quando surgiu a atividade de compliance, principalmente nas instituições financeiras, a maioria direcionou a atividade para ser desempenhada pela assessoria jurídica, considerando a expertise dos mesmos nas interpretações dos instrumentos legais. As empresas que possuem grande responsabilidade jurídica e normativa em seus atos, são as que mais precisam implantar um departamento que garanta a conformidade de seus atos ou, pelo menos, ter uma assessoria externa para agir em apoio à sua alta direção.

Hoje as necessidades passaram a demandar que a atividade “compliance” seja um cargo que vai além de normas e políticas: devemos incluir os processos, daí a importância do mapeamento dos mesmos e sua gestão, buscando suas melhorias.

É impossível definir normas e procedimentos internos, para garantir que a empresa esteja em conformidade, sem que haja domínio e conhecimento do negócio, de todos os processos e a abrangência dos mesmos, interna e externamente. A antiga e extinta O&M nas grandes organizações, hoje, foi ressuscitada com outra roupagem e conteúdo muito mais encorpado de atividades.

Além de manter as informações seguras e seu negócio sempre funcionando, as organizações precisam mostrar, e comprovar, para o mercado que estão adotando as boas práticas. Para isso as organizações precisam estar em conformidade, ou em compliance.

Ao estar em compliance com as boas práticas e padrões existentes atualmente, a organização destaca-se e recebe o reconhecimento do mercado. Outros benefícios, além da vantagem competitiva, são: desconto em linhas de crédito, valorização da organização, melhor retorno dos investimentos, entre outros.

Além de interpretar as leis que rege suas atividades, a empresa precisa ter um eficiente controle interno, e estar atenta para os riscos operacionais.

Além da assessoria jurídica a empresa precisa contar com outros profissionais de controles internos e análise de riscos, como parte integrante no processo de construção de um departamento nesse campo, no que tange a entendimento das leis e normas internas. Portanto, o profissional de compliance necessita entender melhor as suas funções QUE VÃO ALÉM de basta elaborar e publicar normativos e procedimentos, direcionando as responsabilidades aos gestores de áreas. Eles necessitarão entender o que está sendo cobrado e como podemos melhorar as atividades e proporcionar maiores índices de eficiência, eficácia e confiabilidade das informações, que é a base de toda decisão. Por exemplo, para quem conhece os procedimentos contábeis, sabe muito bem a importância dos controles internos e contábeis para a elaboração de uma nota explicativa em conformidade com as melhores práticas de governança corporativa.

A atividade de prevenção à fraudes; segurança da informação; plano de continuidade de negócios; contabilidade internacional, fiscal e gerencial; gestão de riscos e de pessoas; atendimento a auditorias internas e externas; dentre outras, forma o leque de atribuições do profissional de compliance, que deverá dominar conhecimentos sobre o negócio, as metas e objetivos dos administradores.

E para quem deseja investir na carreira de compliance, tem que ter em mente, primeiramente, que ele, o profissional de controles internos e o de auditoria interna necessitam ser mais participativos e devem muito mais assumir um papel de consultor do que “xerife”, pois, são profissionais que vendem segurança, e o comprador necessita acreditar no profissional e no produto.

Somente assim os controles internos terão seu papel levado mais a sério nas organizações, independentemente de tamanho ou atividade econômica, as normas legais emanadas pelos órgãos reguladores serão cumpridos à risca e a auditoria interna poderá trabalhar mais rapidamente, porque sabe-se: o tamanho do universo da amostragem numa auditoria é inversamente proporcional à eficiência dos controles internos.

Coworkings e escritórios virtuais se multiplicam e movimentam o mercado corporativo no Brasil

Elisa Rosenthal Tawil
Fundadora e sócia-diretora da JL&co, especialista em
mercado imobiliário, com passagens pelas principais
empresas do setor, em nível nacional e internacional.
Focada em gestão, negociação e solução de conflitos.

Uma nova forma de se trabalhar está em curso no Brasil e, de tendência, vem passando para o status de palpável realidade. Trata-se do crescimento dos coworkings – espaços compartilhados, onde empresas e profissionais autônomos usam o mesmo ambiente físico – e dos escritórios virtuais, que ganham aderência por oferecer uma alternativa prática e econômica ao empreendedor.

“O mercado está se adaptando bem a este modelo, uma vez que o escritório convencional segue uma tendência mundial de adaptar-se ao mundo conectado. Por isso, vemos tantos espaços de coworking em locais inusitados ou ajustados. A própria geração Y, ou millenials, impõe essa necessidade. Para ela, não faz sentido ficar duas horas presa no trânsito para sentar-se em frente a um computador, respondendo e-mails e atendendo ao telefone. A produtividade independe de escritório”, explica Elisa Tawil, sócia-diretora da JL&co, empresa especializada em incorporação e gestão imobiliária.

“A principal vantagem do coworking, sem dúvida, é sua rede de contatos e possibilidades oferecidas pela troca entre as empresas e profissionais envolvidos. O escritório virtual é um formato mais adequado para quem prima pela privacidade, não faz questão dessa interação e ainda prefere o formato home office.”

No Brasil, segundo o Censo Coworking Brasil 2016, existiam no ano passado cerca de 380 espaços ativos, agregando 10.000 profissionais – um aumento de 52% em relação a 2015. A maioria fica em São Paulo: 148. Minas Gerais aparece em segundo lugar, com 37 espaços e, em terceiro, vem o Rio de Janeiro, com 35.

Ainda de acordo com o levantamento, 65% dos profissionais trabalham com consultoria, 50% com publicidade e design, 45% com marketing, internet e startups, e 38% com advocacia. Outras áreas como negócios sociais, vendas, jornalismo, educação, serviços jurídicos, artes e terceiro setor figuram no levantamento.

Pelo mundo, de acordo com o Global Coworking Map, são cerca de 1.500 espaços compartilhados, em 790 cidades.

“Produzo no coworking de uma agência de mídias sociais há uns 2 meses em Pinheiros, São Paulo. É minha primeira experiência. O espaço é gostoso porque é compartilhado. São várias empresas, de ramos diferentes. É bom para fazer contatos e networking. Fora isso, o escritório te dá uma vida social mais ativa, aparecem mais oportunidades de negócio”, explica Daniel Akashi, arquiteto e designer. “Mesmo que haja empresas concorrentes, dá para pegar várias referências, as pessoas se ajudam. Se você trabalha em casa, acaba ficando meio isolado. Eu pretendo continuar trabalhando em coworking por um bom tempo.”

O ticket médio é um dos pontos positivos de ambas as opções. Um espaço de coworking em São Paulo, por exemplo, vai de R$200,00 a R$900,00 por posto de trabalho. Já o escritório virtual pode variar entre R$90,00 e R$290,00 mensais, com atendimento personalizado trilíngue.

O advogado Bruno Zilberman Vainer, sócio do Escritório Vainer & Villela Advogados, trabalhou com a Times Office (escritório virtual BESP) até abril, e passou cinco anos com eles. “Alugávamos uma sala e íamos todos os dias. Usávamos a sala de reunião, pagando por hora. A vantagem do escritório virtual é que você paga um valor e, nele, está contido quase tudo: aluguel, condomínio, IPTU, luz, limpeza, recepção. Fica mais barato e menos burocrático”, diz Vainer, cujo escritório possui sede própria.

“O escritório virtual é muito prático, mas pouco confortável. Você tem tudo à mão. No entanto, minha sala era minúscula. Éramos quatro pessoas trabalhando em 12 m². Uso o serviço telefônico da Regus até hoje. Pago menos de R$300,00 por mês e tenho uma telefonista bilíngue ao meu dispor. Isso funciona muito bem e eu não quero me desfazer do serviço. Se fosse contratar uma secretária bilíngue, ia ter um gasto total de R$3.000,00.”

Somente a Regus, uma das líderes mundiais em escritórios virtuais, está presente em 900 cidades ao redor do mundo, com mais de 3.000 espaços. Em breve, a gigante norte-americana do coworking WeWork iniciará as suas atividades em São Paulo.

As tendências de mercado também trazem desvantagens de ambos os lados, diz Elisa Tawil, da JL&co: “Neste formato de troca e conectividade, o coworking pode não comportar um eventual crescimento da empresa, com opções de posições restritas. Espaços mal planejados podem ser igualmente um problema, especialmente, em relação à acústica e dimensionamento de espaços comuns versus o número de usuários, como banheiros e copa”.

Num escritório virtual, as desvantagens são os conflitos por disponibilidade de agenda e deslocamento em cidades impactadas pelo trânsito.

Ambos os modelos, entretanto, trazem em conjunto a certeza de que a forma de se trabalhar mudou e que, na era da conectividade, compartilhamento e praticidade são indispensáveis para empresas e profissionais.

A era da startupização: mitos e verdades

Andre Gregori
CET (Chief Executive Thinker) – Thinkseg

Já faz algum tempo que tenho percebido um fenômeno no Brasil que eu chamaria de startupização” ou até de appficação” da vida. Não quero parecer não gostar de tudo isso, pelo contrário. Eu acho muito bacana ver que a tecnologia encurtou caminhos, deu voz às pessoas e as permitiu criar e colaborar mesmo à distância, usando ferramentas de custo baixíssimo e que tudo isso favoreceu o surgimento de novas ideias, que puderam ser levadas adiante e algumas até se transformaram em negócios inovadores, disruptivos e promissores. E inclusive hoje eu sou um deles: um empreendedor que começou uma startup e que acredita muito na utilidade dos aplicativos. Entretanto, o problema é que esse fenômeno pode trazer junto alguns mitos. E é bem importante falarmos sobre eles e trazermos à tona algumas verdades.

Mito 1 – Startup é apenas sobre tecnologia

Uma crença comum entre as pessoas é que o conceito de startup é sinônimo de tecnologia. Existem diversas definições para o conceito, de acordo com a visão de cada autor. Para o consultor Steve Blank, uma startup é uma organização formada com base na busca de um modelo de negócios escalável e que possa ser repetido”. Já Eric Ries (autor do famoso livro A Startup Enxuta) define como uma instituição humana criada para entregar um novo produto ou serviço sob condições de extrema incerteza”. Mas acho que a definição que mais gosto é André Telles e Carlos Matos, citada no livro O empreendedor viável”. Eles acreditam que uma startup é um empreendimento resultante de um modelo de negócios inovador, escalável, flexível o suficiente para sofrer alterações durante o processo de desenvolvimento, lançamento e maturação do negócio, com grande investimento de capital humano e intelectual, equilibrando custos e resultados financeiros de modo a permitir o sucesso dos empreendedores”.

Em resumo, até uma padaria pode ser concebida como uma startup. Basta ter um planejamento de onde se quer chegar, basta começar com poucos produtos, ir testando, validando, para depois escalar e ampliar o cardápio e os serviços.

E se quer outro exemplo, agora na área de tecnologia, eu posso citar o caminho que estamos trilhando na Thinkseg. Nossa ideia é oferecer diversos tipos de seguros com contratação fácil pelo smartphone, mas inicialmente focamos em auto e pet. Para isso rodamos uma versão inicial e fizemos testes com um grupo de usuários. Bem mais seguro que já lançar tudo de uma vez sem sentir o mercado, sem validar a ideia e entender no que podemos melhorar antes de avançar.

Mito 2 – O que vejo parece ser uma verdade universal

Às vezes os algoritmos nos cercam tanto tentando ajustar o que parece ser mais interessante para nosso perfil, que os resultados do Google ou os posts da timeline do Facebook podem nos fazer crer que o mundo é nosso quintal e que todo mundo pensa como nós ou quer o mesmo que queremos. É preciso pensar sobre o público-alvo da solução que você está criando. E é bem perigoso ser cegado pela tendência de confirmação, aquela que nos faz acreditar que a ideia gerada é maravilhosa e que nada pode fazer dar errado.

Mito 3 – Startup: é só sair fazendo

A facilidade que a tecnologia nos proporcionou em levar ideias adiante também nos fez crer que a essência ágil de conceber produtos, geralmente associada às startups, permite não planejar nada e apenas sair fazendo. É claro que existem negócios que se tornaram um sucesso e nasceram repentinamente, até de momentos “eureka”. Mas pode ter certeza de que em algum momento foi preciso organizar a casa, planejar, saber para onde se queria ir. Não dá para sair fazendo sem ter ideia do que está acontecendo. Refletir sobre o modelo de negócios é essencial para entender quem é o público, qual a proposta de valor, os diferenciais, o esforço envolvido e de onde virá a receita. Vejo muitas ideias bacanas, mas quando você pergunta como é que aquilo vai gerar receita, acaba ouvindo um “não sei muito bem” ou “vamos colocar banners”.

Gosto de citar um exemplo que nem tem a ver com tecnologia, mas que é bem curioso. Um fabricante de ração queria desenvolver um novo sabor do alimento para gatos. Fez estudos e descobriu que existia potencial de lançamento de um novo sabor que com certeza seria um grande sucesso entre os felinos. Então, crente de que aquela novidade venderia muito, levou adiante e lançou no mercado o produto novo. O produto começou a chegar aos lares e seus donos o ofereceram a seus gatos. Entretanto, a reprovação foi geral. Os gatos simplesmente odiaram aquele novo sabor. Como isso poderia ter sido evitado? Testando antes, em uma proporção menor. É o que chamamos de validar a ideia e entender se existe demanda, como o público aceitaria a novidade. Com humanos poderíamos fazer pesquisas e entrevistas que ajudariam a refinar o modelo de negócios e prosseguir para a construção de um produto mínimo viável. No caso dos gatos, um teste oferecendo a ração seria o suficiente.

Mito 4 – Empreender é fácil e glamouroso

Quando se começa um novo negócio, seja com ou sem poder de investimento, será preciso ter muita dedicação. É preciso desconstruir o mito de que empreender significa trabalhar menos. Pelo contrário, o normal é que se trabalhe mais, principalmente quando o negócio precisa decolar e começar a parar em pé. Infelizmente, empreender no Brasil não é tarefa fácil. Os tributos que se pagam não são nada convidativos, por isso o planejamento e o foco são bem importantes. Além disso, o cenário novo envolvendo negócios inovadores, disruptivos e que nem sempre se encaixam na legislação atual ou em modelos já consolidados, pode trazer algumas dúvidas.

Mito 5 – Vou conseguir investidor rapidinho

Outro mito frequente é que basta ter a ideia, apresentá-la e um investidor vai topar bancar o projeto. Aliás, existe uma percepção errada, às vezes, de que o dinheiro investido será como um presente para o criador da ideia. E muita gente se empolga com alguns valores. Posso dar um exemplo, parece muito receber um investimento de R$1 milhão? Bem, vamos distribuir esse valor ao longo de 3 anos de planejamento então, afinal, não dá para imaginar que um negócio fará sucesso e ganhará escala em poucos meses. Ao dividir o valor em 3 anos teremos então trezentos e poucos mil por ano, certo? Dividindo novamente o valor pela quantidade de meses do ano, que são 12, chegamos ao valor de menos de R$28 mil ao mês. E de repente um valor que parecia alto, tornou-se irrisório quando se tem custos mensais para bancar, que vão desde o salário das pessoas, energia elétrica, internet, insumos, até o cafezinho do dia a dia.

Até mesmo para conseguir um investidor é preciso planejamento, pois números, previsões e planejamento serão cobrados.

Mito 6 – Meu negócio terá custo zero

Por mais que um negócio seja iniciado em casa, nunca se pode afirmar que ele terá custo zero. No máximo, baixo custo. É preciso contabilizar o esforço intelectual, as horas de trabalho, as tecnologias utilizadas. Tudo que é essencial para o processo gera algum custo. E se o negócio depende de uma tecnologia ou de uma parceria, existe um risco envolvido, porque se existir uma dependência forte e em algum momento, que possa afetar o negócio, ele pode quebrar.

Mito 7 – O que importa é inovar

Nem sempre a solução ou o que mercado adoraria ter é algo extremamente inovador, disruptivo, que modificará o hábito das pessoas. É claro que existem negócios assim e muitos deles fizeram sucesso, um exemplo foi o Ipod da Apple, que permitiu que as pessoas pudessem correr ouvindo música e levassem em seus bolsos uma infinidade de arquivos digitais em vez de um desajeitado discman. Mas, às vezes, basta melhorar um processo que atualmente é feito de outra forma. Inovação não precisa ser sinônimo de bizarrice.

Mito 8 – Eu sou um gênio e não preciso de mais ninguém

Acho que talvez este seja o ponto mais importante a ser discutido. Ideias ficam muito melhores quando mais cabeças pensam juntas. E pessoas, parceiros, são essenciais para a saúde e vida longa do negócio. Fechar-se em uma ideia, ter medo de contá-la e achar que apenas o fato de ser quem criou o conceito é suficiente, é um grande perigo. Sempre digo que todo CNPJ é formado por CPFs e ter pessoas melhores que você em seu time, o ajudará a crescer. Eu acredito muito que por mais que um negócio seja parecido com outro, é possível encontrar um diferencial, posicioná-lo de outra forma e até mesmo seu estilo de conduzir e lidar com seu time e com a forma como atende aos clientes pode ser um ponto a favor. Seu negócio pode até ser copiável, mas existem pontos que só quem tem a expertise, a garra e a vontade de fazer diferente. Boas ideias muitas pessoas têm, mas realizá-las é um trabalho para poucos.

Onze coisas que todo profissional precisa saber para crescer e ser feliz

Flavia Gamonar
Professora, Doutoranda em Mídia e Tecnologia,
Co-fundadora  da Content Review Brand Yourself

Ontem estava montando o programa de uma disciplina que darei em um MBA de uma faculdade e me peguei diante de um desafio. Preparar o conteúdo que eu abordaria em uma disciplina de Gestão de Carreira e Desenvolvimento Profissional a princípio me pareceu fácil, talvez mais do mesmo funcionasse. Mas logo notei que falar sobre carreira nos dias de hoje precisava ir muito além do clichê que até então foi pregado durante anos.

Então, passei a tarde toda revisando livros que pudessem trazer temas interessantes e mais modernos para essa disciplina. E inspirada nisso trago dicas que são essenciais para qualquer profissional, de qualquer segmento.

1. É preciso gerenciar sua carreira

Por muito tempo eu achei que bastava conseguir um emprego e deixar a vida me levar. Que a vida era daquele jeito mesmo. Que o que tivesse que acontecer, aconteceria. Que promoções, conquistas e reviravoltas só aconteciam com gente sortuda. Logo que perdi o emprego depois de ficar 4 anos em uma empresa e amargar seis meses me sentindo inútil e sem dinheiro, percebi que eu precisaria cuidar ainda mais do meu futuro profissional. Eu preciso dizer que até então eu não era relapsa não. Sempre fui atrás, batalhei, me arrisquei. Tanto é que naquela empresa passei por 4 cargos, todos conquistados com minha dedicação. Mas a experiência do desemprego me ensinou ainda mais.

Naquela empresa eu fazia questão de dar o meu melhor, mesmo quando vivia situações difíceis e injustas. Eu me lembro que poucos meses depois que havia entrado para uma área nova na empresa, depois de um processo seletivo, comecei a me interessar para o próximo nível que eu poderia ir. Poderia parecer muita pretensão, mas eu não podia ficar parada. Assim que vi um curso que me capacitaria para aquele nível, não tive dúvidas. Negociei com meu chefe uma ausência de uma semana do trabalho para poder fazer o curso. Em troca, eu trabalharia do escritório da capital para poder fazer o curso a noite, e ele seria pago do meu bolso. Apesar do meu chefe deixar, ele me disse que era cedo demais pra eu pensar em estudar aquilo, que havia um longo caminho para viver até que conseguisse ser promovida de novo. Fiz o curso. Poucos meses depois uma pessoa pediu demissão, mas os projetos que ela tocava não podiam ficar à deriva. Como eu estava preparada, consegui aquela vaga. Se eu tivesse escutado que era muita petulância de minha parte e não feito o curso, ela não teria sido minha.

Depois de passar seis meses sem emprego e conseguir outro, intensifiquei a gestão de minha carreira. Mas o que significa isso? Gerenciar sua carreira significa ter planejamento, tomar uma série de decisões mirando um futuro profissional e se preparando para alcançá-lo. Isso inclui dizer alguns nãos e alguns sins. E até dar um passo atrás em alguns momentos. Isso envolve foco, renúncias, dedicação e desenvolvimento de novas competências, mas o resultado vem. Apenas acordar e ir viver a vida sem planejar nada, dificilmente o fará ir para níveis maiores.

Com um mercado que cada vez é mais competitivo, não dá pra ser mais um profissional. Uma carreira é um processo que leva um certo tempo para se estabelecer. E esse processo inclui acertar e errar, porque é o que trará maturidade.

2. É preciso se conhecer bem

Entender quais são seus pontos fortes e fracos é essencial. Não dá para achar que é perfeito em tudo e que está bom assim. Mesmo em situações nas quais parece que fomos vítimas de uma injustiça ou que a culpa era do outro, pode existir sim uma parcela que é nossa, algo que possamos melhorar. E quase sempre existem coisas que a gente mesmo não percebe, mas que nos atrapalham de avançar. Ouvir o outro é bem importante, é preciso se permitir. Ao mesmo tempo é preciso ser cuidadoso, porque algumas vezes você estará cercado de gente que só quer o seu mal, ainda mais em ambientes competitivos. Reconhecer os pontos fracos e trabalhar para melhorá-los é a resposta.

3. O mercado de trabalho mudou muito

Se você fazia um curso e precisaria trabalhar naquela área para sempre, hoje as coisas mudaram bastante. É possível ter feito graduação em uma área, mas depois direcionar a carreira para aos poucos trabalhar em outra. É possível fazer misturas. Quer um exemplo? Uma profissão nova é a de growth hacker, e inclui a necessidade de saber sobre programação, vendas e marketing. Quem diria que um dia essas áreas se mesclariam assim? Isso acontecerá o tempo todo, nem sempre haverá um curso que vai preparar você para algo específico. Algumas demandas você mesmo poderá identificar ou até sugerir. Estamos diante de um consumidor que tem acesso a muita informação, que pode escolher e que tem necessidades que podem ser supridas por novos produtos e serviços que você aí pode criar.

4. Você precisará tomar decisões de carreira que serão difíceis

E tomar decisões não é fácil. Significará ser estratégico e avaliar até mesmo quando uma promoção que parece uma super oportunidade é na verdade uma armadilha que o tirará do jogo em seguida. E, ainda, que talvez até mesmo a saída do jogo pode ter sido benéfica ao ter se arriscado, porque ela trouxe um novo olhar e uma nova postura. Algumas vezes você precisará renunciar coisas que lhe dão conforto e comodidade se estiver em fase de plantar pra depois colher.

5. Ser um líder será melhor que ser um chefe

Pode parecer mentira, mas em 2017 as empresas ainda estão cheias de gente carrasca comandando. Sem visão, cheias de intrigas, que gostam de mandar e até humilhar. Chefes que não inspiram, que obrigam, que ficam de cima, que não dão autonomia, que não deixam crescer. Lidar com pessoas é sempre um desafio, mas cada vez mais precisaremos trabalhar essa competência. Promover um ambiente gentil, colaborativo, que não estimula competições que causarão intrigas é o caminho. A equipe só vai colaborar com o coração se tiver alguém inspirador unindo esses pontos. A época do chicote foi embora faz muito tempo e muita gente já não aceita trabalhar pensando apenas em salário.

6. Você não pode anular sua vida pessoal

Em minha vida profissional conheci muita gente que só vivia para trabalhar. Fazia hora extra, deixava amigos e parentes, vivia bajulando o chefe. Tudo que importava era ter aquele título de cargo e conseguir promoções.

Eu confesso que por muito tempo também me apeguei ao nome do meu cargo e ao lugar que trabalhava, tantas vezes fiz coisas no fim de semana para impressionar na segunda-feira e depois ficava frustrada por ninguém ter valorizado. Quando perdi o emprego e fiquei sem nada, quando aquele título não era mais meu, percebi o grande problema que havia criado pra mim mesma. Havia perdido muitos momentos com amigos e família e me sentia péssima por não ser mais nada do dia para a noite. Lembre-se que seu trabalho é uma parte de sua vida, não o todo. Separe momentos para ter sua vida pessoal preservada.

7. Você precisa fazer marketing pessoal

Muita gente associa a palavra marketing a algo forjado, a enganar o outro. E aí quando você fala em marketing pessoal, pode soar pior ainda. Mas a verdade é que você precisa se preocupar com isso. Quantas pessoas do seu Facebook nunca fizeram um post que de alguma forma mencionasse o que elas fazem profissionalmente e como isso afastou oportunidades de negócios? Quanta gente não se preocupa com a forma como é visto profissionalmente, que nunca faz um curso ou lê um livro para se atualizar. Que tem um currículo super mal feito, que tem vergonha de comentar sobre seu trabalho. Em um mercado tão competitivo, se você não fizer marketing pessoal não será visto. Como eu fiz isso? Desde 2015 escrevo artigos como este, que permitiram as pessoas me conhecerem além do meu currículo. Funcionaram como uma vitrine viva sobre meu trabalho e quem sou. E faço questão de compartilhar sempre que estou diante de um momento profissional importante que posso divulgar, seja no Linkedin ou no Facebook. Isso ajuda a atrair outras oportunidades.

8. Você não pode abrir mão de valores pessoais

Às vezes você ficará diante de tentações que o farão querer ser quem você nunca foi em nome de poder, status ou dinheiro. Só que isso poderá, a médio prazo, lhe trazer muito mais problemas do que benefícios. E, ainda que não tragam, é preciso avaliar continuamente o que lhe convém aceitar ou não. Algumas coisas são boas apenas no início, mas depois o colocam em situações difíceis e sem volta.

9. Você não necessariamente precisa de um emprego

Muita gente ainda está presa a certos formatos de trabalho e acha que apenas um emprego de carteira assinada é o certo, que trabalhar das 8h às 18h é o esperado. Não é bem assim. Eu hoje sou empreendedora, não tenho carteira assinada. Mas consigo ajustar minhas horas para ter flexibilidade e poder cursar meu doutorado, viajar para dar cursos e viver minha vida pessoal. Permita-se coisas novas, você pode empreender. Sempre há algo em que você é bom e que pode virar um produto ou serviço.

Aliás, aproveito para lembrar algo: mesmo no Linkedin um emprego não vai bater à sua porta como muitos pensam. É preciso ser ativo, mostrar-se ao mercado. Apenas implorar para que as pessoas compartilhem seu perfil não é a saída. Participe de grupos, comente de forma relevante sobre assuntos que você entende, escreva artigos compartilhando o que você sabe.

10. Você precisa se comunicar melhor

Seja ao escrever um e-mail sucinto e certeiro, seja ao falar com sua equipe e alinhar demandas, seja ao fazer apresentações em público, dar aulas ou palestras. Uma comunicação clara e eficiente é essencial. Quantas reuniões de uma hora poderiam ser resolvidas em dez minutos, mas as pessoas estão acostumadas que precisa ser daquele velho jeito de fazer? Quantas palestras poderiam ter vinte minutos e impactar, mas o forçam a fazer em uma hora e meia e cansar seu público? É preciso inovar, se permitir.

11. Você precisa se permitir inovar

Quanta coisa ainda é tão retrógrada e ninguém se dá conta. Por exemplo, porque é que para ser um bom profissional precisamos estar vestidos de forma tão social? Porque homens não poderiam trabalhar de bermuda se mulheres podem usar vestido? Porque um assunto precisa passar por milhares de processos burocráticos para ser resolvido? A inovação não precisa ser um estardalhaço, um reinventar a roda. Ela pode estar presente no dia-a-dia, nas pequenas coisas que você melhora e permite acontecer de um modo diferente.